Retalho alimentar com transações 13% acima dos níveis pré-pandemia

O retalho alimentar tradicional é um dos sectores económicos que mais tem crescido, desde o início da pandemia de Covid-19 em Portugal. A conclusão é do mais recente relatório da REDUNIQ, rede de aceitação de cartões nacionais e estrangeiros, que analisa a evolução dos movimentos transacionais desde o início das medidas de contingência no país até à quarta semana do plano de desconfinamento.

De acordo com este documento elaborado pelo REDUNIQ Insights, o retalho alimentar tradicional, também conhecido por retalho de proximidade, continua a crescer, tanto no número de transações quanto na sua faturação. Só na semana de 24 a 30 de maio, este tipo de estabelecimentos comerciais registou um total de transações 13% superior aos valores alcançados no período pré-pandemia (mais precisa- mente, na semana de 1 a 7 de março). Já ao nível da faturação, a percentagem de crescimento deste sector é mais expressiva, tendo atingido mais 28% em relação à primeira semana de março.

Na mesma medida, também o ticket médio deste sector, ou seja, o valor médio de cada compra, subiu em comparação com os níveis pré-pandemia. Enquanto que, nessa altura, o ticket médio estava nos 18,51 euros, na semana de 24 a 30 de maio, encontrava-se nos 21,03 euros.

Em contraste com este fenómeno estão os hiper e supermercados, que ainda registam um número de transações abaixo daquilo que con- seguiam obter antes da pandemia. Contudo, estes valores têm vindo a subir gradualmente, com a semana em análise a acumular um número de transações 19% mais baixo do que os números pré-pandemia.

Segundo Tiago Oom, diretor da REDUNIQ, “o crescimento do retalho alimentar tradicional deve-se a uma maior valorização deste tipo de estabelecimentos desde o início do confinamento em Portugal, uma vez que representam uma alternativa às grandes superfícies, não só pela sua proximidade às habitações, evitando, assim, que as famílias façam gran- des deslocações para realizar as suas compras, como pela maior segurança que estes podem proporcionar, já que existe uma menor concentração de pessoas e, por sua vez, um menor risco de contágio”.

Outro destaque vai para a restauração que, na semana de 24 a 30 de maio, ultrapassou o patamar dos 50% da faturação registada no período pré-pandemia. No sábado, dia 30 de maio, alcançou cerca de 82% da faturação média diária da primeira semana de março.

Para Tiago Oom, “a ainda pouco expressiva faturação registada neste sector reflete, sobretudo, a reabertura gradual dos estabelecimentos, dado que muitos não abriram portas no dia 18 de maio. Se na primeira semana da segunda fase de desconfinamento tínhamos apenas 40% dos restaurantes e cafés abertos ao público, na semana seguinte, esse valor aumentou 94%, com 77% do total de estabelecimentos de restauração já em plena atividade”.